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Tipos de nomes de marca: como o naming constrói (ou limita) o posicionamento

No post anterior, entendemos que naming é uma decisão estratégica de gestão, não um detalhe criativo. Agora, avançamos um nível: nem todo nome comunica da mesma forma. Existem categorias de nomes de marca, cada uma com vantagens, riscos e implicações diretas no posicionamento competitivo, no marketing e no crescimento do negócio.


Compreender esses tipos ajuda o empreendedor a tomar decisões mais conscientes — e a evitar erros difíceis (e caros) de corrigir depois.


Em qual categoria o nome "Harley-Davidson" se enquadra?
Em qual categoria o nome "Harley-Davidson" se enquadra?

1. Nomes descritivos

São nomes que explicam literalmente o que a empresa faz.


Exemplos:


Vantagens:

  • Fácil compreensão inicial

  • Menor esforço cognitivo para o público

  • Úteis em mercados imaturos ou altamente funcionais


Limitações:

David Ogilvy alertava que nomes descritivos tendem a ser fracos como marcas. Eles não criam diferenciação real e são facilmente copiáveis. Além disso, podem limitar a expansão do negócio. Um nome como “Entrega Rápida SP” funciona hoje, mas vira um problema quando a empresa cresce para além da proposta original.


2. Nomes evocativos

São nomes que sugerem uma ideia, emoção ou benefício, sem descrever diretamente o produto.


Exemplos:

  • Nike (vitória, força)

  • Nubank (proximidade + tecnologia)

  • Spotify (spot + identify)


Vantagens:

  • Forte carga simbólica

  • Excelente para storytelling

  • Cria diferenciação emocional


Marty Neumeier defende que marcas fortes vivem no território do significado, não da descrição. Nomes evocativos funcionam como atalhos mentais: eles não explicam tudo, mas abrem espaço para interpretação — e isso é poderoso.


Limitações:

  • Exigem mais investimento inicial em branding e comunicação

  • Se mal executados, podem gerar confusão


3. Nomes inventados (neologismos)

Criados do zero, sem significado prévio no dicionário.


Exemplos:

  • Google

  • Kodak

  • Xerox

Vantagens:

  • Alta registrabilidade jurídica

  • Total controle semântico

  • Forte potencial de diferenciação


Philip Kotler destaca que nomes inventados permitem à marca construir significado do zero, o que pode ser extremamente valioso em mercados saturados.


Limitações:

  • Alto custo de educação do mercado

  • Dependem fortemente de consistência e investimento


4. Nomes lexicais ou reais

Utilizam palavras existentes, muitas vezes fora do contexto original.


Exemplos:

  • Apple

  • Amazon

  • Square


Vantagens:

  • Alta memorabilidade

  • Associações simbólicas pré-existentes

  • Forte presença cultural

Michael Porter ajuda a entender por que isso funciona: nomes lexicais bem escolhidos reposicionam categorias inteiras, criando novas referências mentais.


Limitações:

  • Conflitos legais mais comuns

  • Exigem coerência extrema entre nome, produto e experiência


5. Nomes patronímicos (fundadores)

Derivados do nome do fundador ou de pessoas reais.


Exemplos:

  • Ford

  • Gucci

  • Casas Bahia


Vantagens:

  • Transmitem legado e autoria

  • Funcionam bem em mercados de confiança e tradição


Limitações:

A Harvard Business Review aponta que marcas muito associadas a indivíduos podem sofrer quando o fundador sai de cena ou se envolve em crises públicas.


O erro mais comum: escolher o tipo de nome de marca errado para o estágio errado


Pequenos empreendedores frequentemente escolhem nomes descritivos por medo de não serem compreendidos. Grandes marcas escolhem nomes evocativos ou inventados porque podem investir na construção de significado.


O problema não é o tipo de nome de marca — é o desalinhamento entre nome, estratégia e capacidade de execução.


A Nielsen Norman Group reforça que clareza cognitiva não vem apenas do nome, mas do sistema completo de marca: linguagem, design, experiência e consistência.


Conclusão:


Naming não é sobre gosto pessoal. É sobre decidir que tipo de ativo estratégico você está construindo. Cada categoria de nome carrega implicações reais para marketing, design, crescimento e gestão.


Na próxima aula, o foco será como avaliar se um nome é bom, indo além da criatividade e entrando em critérios estratégicos, linguísticos, jurídicos e mercadológicos.

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