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Gestão de marca: quando o nome precisa sobreviver ao tempo

Atualizado: 16 de jan.

foto de um jovem segurando múltiplas embalagens de produtos de uma mesma marca
Gerir uma marca é como fazer malabarismos


Criar um nome de marca é um momento marcante. Existe um pico emocional, uma sensação de descoberta, quase como batizar um filho. Mas a verdade é que o trabalho real começa depois. Um nome só vira marca quando entra em contato com o mundo.


E é aí que entra a gestão de marca.


Gestão de marca não é “cuidar do logo”, nem “manter o Instagram bonito”. Gestão de marca é a disciplina que garante que tudo aquilo que você prometeu ao escolher um nome continue verdadeiro quando o negócio cresce, muda de fase, enfrenta crises ou simplesmente envelhece.


David Aaker, um dos maiores estudiosos do tema, define brand management como o esforço contínuo para construir, manter e proteger o brand equity. É o valor simbólico e econômico da marca. Em outras palavras: é o que impede sua marca de virar só mais um nome esquecido numa prateleira cheia.


Marca não é um objeto. É um sistema vivo.


Uma metáfora simples ajuda: pense na marca como um organismo vivo. O nome é o nascimento. O lançamento é a infância. Mas a gestão de marca é a vida adulta inteira.

Negócios que ignoram isso costumam cair em dois extremos perigosos: Ou engessam a marca, tratando-a como algo sagrado e intocável, ou a banalizam, mudando discurso, tom e comportamento a cada nova moda. Nenhum dos dois funciona.


Michael Porter nos lembra que estratégia é escolha e consistência. Gestão de marca é justamente isso: escolher o que a marca é, e o que ela nunca será, e sustentar essa decisão ao longo do tempo.


O papel do nome dentro da gestão de marca


O nome é o elemento mais resistente da identidade. Cores mudam. Logos evoluem. Slogans vêm e vão. Mas o nome, quase sempre, permanece.


Por isso, na gestão de marca, o nome funciona como um eixo. Ele ancora decisões. Ele filtra iniciativas. Ele ajuda a responder perguntas práticas como:


  • Esse novo produto faz sentido sob este nome?

  • Esse tom de comunicação respeita o que esse nome carrega?

  • Essa parceria fortalece ou dilui o significado do nome?


Marty Neumeier costuma dizer que marca é “a percepção intuitiva que alguém tem sobre um produto, serviço ou empresa”. Gestão de marca é o esforço consciente para não trair essa intuição.


Gestão de marca é comportamento antes de comunicação


Um erro comum, especialmente em pequenos negócios, é achar que gestão de marca acontece no marketing. Na verdade, ela começa no comportamento.


O atendimento confirma ou desmente o nome. O preço reforça ou enfraquece o posicionamento. A experiência entrega ou frustra a promessa implícita no nome.


Howard Schultz, ex-CEO da Starbucks, dizia que a marca é construída “um cliente por vez”. Não por campanhas, mas por experiências repetidas. Um nome sofisticado com uma experiência amadora cria dissonância. Um nome simples com uma entrega consistente cria confiança.


Governança de marca: regras para não se perder


À medida que o negócio cresce, mais pessoas passam a “usar” a marca. Designers, vendedores, parceiros, redes sociais, franquias. Sem gestão, o caos se instala rápido.


É aqui que entram ferramentas práticas de gestão de marca:


  • Brand guidelines claras (têm de ser plataforma, e não prisão)

  • Definição de tom de voz e linguagem

  • Critérios para uso do nome em extensões, submarcas e produtos

  • Princípios de decisão, não só regras visuais


O Nielsen Norman Group reforça que consistência reduz carga cognitiva. Em termos simples: quanto mais previsível e coerente a marca, menos esforço o público precisa fazer para entendê-la. E pessoas gostam do que é fácil de entender.


Marca forte não é a que fala alto, é a que fala igual sempre


Ogilvy dizia que “toda propaganda deve ser encarada como uma contribuição para o complexo símbolo que é a marca”. Gestão de marca é levar essa ideia para além da publicidade.


Cada post, e-mail, embalagem, resposta no WhatsApp ou proposta comercial contribui para esse símbolo. Não é sobre volume, é sobre coerência.


Seth Godin complementa essa visão ao falar de confiança. Marcas fortes criam públicos que acreditam nelas porque entregam o mesmo valor repetidamente, não porque prometem coisas novas o tempo todo.


Evoluir sem perder a alma


Um ponto sensível da gestão de marca é entender quando mudar e quando resistir. Toda marca que sobrevive precisa evoluir. Mas evolução não é negação do passado.

Apple mudou inúmeras vezes, mas nunca abandonou seus pilares de simplicidade, controle da experiência e foco no usuário. Nike atualiza campanhas, mas nunca abandona a narrativa de superação. Isso é gestão de marca madura.


A pergunta-chave aqui não é “isso é novo?”, mas “isso é verdadeiro para quem somos?”.


Pequenos negócios também precisam gerir marca


Existe um mito de que gestão de marca é coisa de empresa grande. Na prática, é o oposto. Pequenos negócios sofrem mais quando a marca é inconsistente, porque têm menos margem para erro.


Um nome mal gerido gera retrabalho, confusão, perda de confiança e dificuldade de crescimento. Um nome bem gerido vira um ativo silencioso, que trabalha mesmo quando você não está vendendo.


Gestão de marca, no fim, é disciplina. Não glamour. É repetir o essencial mesmo quando dá vontade de improvisar.


Fechamento do curso de naming


Se o curso começou mostrando que naming é estratégia, ele termina mostrando que gestão de marca é responsabilidade. Criar um nome é um ato criativo. Sustentá-lo é um ato de maturidade empresarial.


Uma boa marca não é a que parece inteligente no lançamento. É a que continua fazendo sentido anos depois.


E isso, mais do que qualquer tendência, é vantagem competitiva real.

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