Como escolher nome de marca: filtragem, validação e teste
- Lucas Iemini
- 7 de jan.
- 4 min de leitura

Depois de gerar dezenas de ideias na aula anterior, chega a hora que separa os nomes divertidos das marcas memoráveis. Escolher nome de marca não é só uma questão de inspiração: é ciência, estratégia e um pouquinho de bom-senso. Você já sabe que nomes podem ser como diamantes ou como pedras na boca: alguns brilham, outros machucam se você engolir.
Nesta aula, vamos aprender a filtrar, validar e testar os nomes que você criou, garantindo que eles sejam estratégicos, memoráveis, éticos e viáveis juridicamente. Aqui, cada nome vai passar pelo crivo do marketing, da psicologia cognitiva, do branding e até do bom gosto.
1. Por que escolher nome de marca com cuidado é essencial
Philip Kotler, considerado o pai do marketing moderno, lembra que toda decisão de marca impacta percepção, comportamento e valor percebido pelo consumidor. Marty Neumeier reforça que o nome é o primeiro ponto de contato emocional da marca com o público: ele precisa gerar confiança, curiosidade e conexão.
Se você escolher um nome só porque “soou legal no brainstorm”, você corre o risco de:
Ser difícil de pronunciar ou lembrar, como tentar cantar o alfabeto de trás pra frente.
Criar associações negativas que você nem imaginou.
Bater de frente com marcas já existentes ou domínios ocupados.
Passar a impressão errada do que sua marca realmente representa.
Um nome mal escolhido pode se tornar uma âncora pesada em vez de uma vela que impulsiona seu negócio.
2. Primeira etapa: filtragem inicial
A filtragem inicial é como peneirar pedras preciosas em um rio: você separa o ouro da areia. Pegue todas as hipóteses da aula anterior e avalie com base em três critérios principais: estratégico, comercial e ético.
2.1 EstratégicoO nome reforça o posicionamento da marca? Evoca os valores que definimos no briefing? Diferencia-se da concorrência? Por exemplo, se sua marca é sobre alimentação saudável, nomes como “Aurora” ou “VivaLeve” são fortes porque transmitem leveza e frescor; “FastMeal” não comunica diferencial.
2.2 Comercial
É fácil de pronunciar, escrever e memorizar? Funciona bem para marketing digital e campanhas offline? Se ninguém conseguir soletrar ou lembrar o nome, é como fazer café com filtro furado: tudo escapa.
2.3 Ético e cultural
O nome respeita diversidade, culturas e evita trocadilhos ou gírias que podem ofender? A ética aqui é também bom-senso. Um nome engraçadinho pode parecer esperto, mas se ele aliena parte do público, não vale a pena.
3. Validação avançada com o público
Uma vez filtradas as ideias, é hora de colocar a prova a percepção do público-alvo. Norman Nielsen Group e HBR defendem que percepção e experiência do usuário importam tanto quanto criatividade.
3.1 Teste de percepção
Apresente os nomes isoladamente, sem contexto do briefing, e pergunte:
Que sensação esse nome transmite?
É fácil de lembrar e pronunciar?
Comunica os valores da marca?
Exemplo prático
“Aurora” → frescor, energia, leveza (nota alta)
“NutriGo” → prático, direto, funcional (nota média)
3.2 Teste de memória e associação
Depois de alguns minutos, peça para os participantes escreverem o que lembram. Se ninguém lembra ou associa a valores errados, o nome precisa ser repensado.
3.3 Teste emocional e social
O nome provoca uma reação positiva? É inclusivo? Respeita diversidade? Evita estereótipos ou trocadilhos ofensivos? Pense em nomes como flores: alguns encantam, outros picam.
4. Validação jurídica e disponibilidade digital
Antes de avançar, verifique:
Registro de marca: INPI no Brasil, EUIPO na Europa, USPTO nos EUA.
Disponibilidade de domínio e redes sociais: Instagram, Facebook, LinkedIn.
Significados internacionais: palavras inocentes em um país podem ser problemáticas em outro.
Escolher nome de marca sem essa etapa é como comprar sapato sem experimentar: bonito pode até ser, mas pode machucar muito depois.
5. Criando o shortlist final
Depois de filtrar e validar, sua lista deve reduzir para 3–5 nomes finalistas. Eles devem ser:
Estratégicos, refletindo valores e posicionamento
Memoráveis e fáceis de pronunciar
Éticos, inclusivos e culturalmente respeitosos
Viáveis legal e comercialmente
Exemplo
Para uma marca de delivery saudável:
“VivaLeve” → ótimo equilíbrio entre literalidade e emoção
“Aurora” → poético e memorável
“NutriGo” → funcional e direto
Esses são os nomes que você leva para testes finais ou apresentação a stakeholders.
6. Documentação completa
Documente todo o processo: cada nome, direção criativa, notas estratégicas, sociais e legais. Uma boa tabela de decisão ajuda a justificar escolhas para investidores, sócios ou equipe:
Nome | Direção Criativa | Estratégia | Comercial | Ético/Social | Legal | Observações |
VivaLeve | Evocativo | 5/5 | 5/5 | 5/5 | 5/5 | Melhor equilíbrio |
Aurora | Metafórico | 4/5 | 5/5 | 5/5 | 5/5 | Poético e memorável |
NutriGo | Literal | 4/5 | 4/5 | 5/5 | 5/5 | Funcional, direto |
Essa documentação é ouro para tomar decisões objetivas, não apenas intuitivas.
7. Boas práticas para escolher nome de marca
Priorize simplicidade: nomes curtos e sonoros são mais memoráveis.
Sempre avalie impacto social: bom-gosto é mais estratégico do que parece.
Teste com pessoas reais: nunca subestime percepção do público.
Não escolha só pelo efeito “uau”: escalabilidade e funcionalidade importam.
Pense no futuro: o nome deve sobreviver à expansão da marca.
Marty Neumeier diz que nome é a primeira história que sua marca conta. Se ela começar torta, o resto da narrativa também tropeça.
8. Exercício prático
Pegue suas hipóteses da Aula 5.
Filtre com base em estratégia, comercial e ética.
Teste percepção, memória e impacto social com seu público-alvo.
Valide legalmente e verifique domínios e redes sociais.
Reduza a lista para 3–5 finalistas.
Documente tudo, inclusive notas e observações.
Reflita: o nome é memorável, ético e escalável?
Se passar nesse teste, você está pronto para a etapa final: registrar e lançar o nome oficialmente.
9. Conclusão
Escolher nome de marca é um processo estratégico, criativo e ético. Não é sobre “qual soa mais bonito”, mas sobre o que transmite valores, gera conexão e evita problemas futuros. Um bom nome pode ser a vela que impulsiona seu negócio; um nome mal pensado, uma âncora que afunda.
Ao seguir este método, você terá:
Uma lista de nomes fortes, memoráveis e alinhados com seu briefing.
Segurança jurídica e digital.
Garantia de bom-gosto e impacto social positivo.
Documentação completa para decisão e apresentação.
Na próxima aula (Aula 7), vamos mergulhar na viabilidade jurídica e registro de marca, garantindo proteção e exclusividade para o nome que você escolheu.




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