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Como escolher nome de marca: filtragem, validação e teste

gradiente colorido nos tons da marca da abbra

Depois de gerar dezenas de ideias na aula anterior, chega a hora que separa os nomes divertidos das marcas memoráveis. Escolher nome de marca não é só uma questão de inspiração: é ciência, estratégia e um pouquinho de bom-senso. Você já sabe que nomes podem ser como diamantes ou como pedras na boca: alguns brilham, outros machucam se você engolir.


Nesta aula, vamos aprender a filtrar, validar e testar os nomes que você criou, garantindo que eles sejam estratégicos, memoráveis, éticos e viáveis juridicamente. Aqui, cada nome vai passar pelo crivo do marketing, da psicologia cognitiva, do branding e até do bom gosto.


1. Por que escolher nome de marca com cuidado é essencial

Philip Kotler, considerado o pai do marketing moderno, lembra que toda decisão de marca impacta percepção, comportamento e valor percebido pelo consumidor. Marty Neumeier reforça que o nome é o primeiro ponto de contato emocional da marca com o público: ele precisa gerar confiança, curiosidade e conexão.

Se você escolher um nome só porque “soou legal no brainstorm”, você corre o risco de:

  • Ser difícil de pronunciar ou lembrar, como tentar cantar o alfabeto de trás pra frente.

  • Criar associações negativas que você nem imaginou.

  • Bater de frente com marcas já existentes ou domínios ocupados.

  • Passar a impressão errada do que sua marca realmente representa.


Um nome mal escolhido pode se tornar uma âncora pesada em vez de uma vela que impulsiona seu negócio.


2. Primeira etapa: filtragem inicial


A filtragem inicial é como peneirar pedras preciosas em um rio: você separa o ouro da areia. Pegue todas as hipóteses da aula anterior e avalie com base em três critérios principais: estratégico, comercial e ético.


2.1 EstratégicoO nome reforça o posicionamento da marca? Evoca os valores que definimos no briefing? Diferencia-se da concorrência? Por exemplo, se sua marca é sobre alimentação saudável, nomes como “Aurora” ou “VivaLeve” são fortes porque transmitem leveza e frescor; “FastMeal” não comunica diferencial.


2.2 Comercial

É fácil de pronunciar, escrever e memorizar? Funciona bem para marketing digital e campanhas offline? Se ninguém conseguir soletrar ou lembrar o nome, é como fazer café com filtro furado: tudo escapa.


2.3 Ético e cultural

O nome respeita diversidade, culturas e evita trocadilhos ou gírias que podem ofender? A ética aqui é também bom-senso. Um nome engraçadinho pode parecer esperto, mas se ele aliena parte do público, não vale a pena.


3. Validação avançada com o público


Uma vez filtradas as ideias, é hora de colocar a prova a percepção do público-alvo. Norman Nielsen Group e HBR defendem que percepção e experiência do usuário importam tanto quanto criatividade.


3.1 Teste de percepção


Apresente os nomes isoladamente, sem contexto do briefing, e pergunte:

  • Que sensação esse nome transmite?

  • É fácil de lembrar e pronunciar?

  • Comunica os valores da marca?


Exemplo prático

  • “Aurora” → frescor, energia, leveza (nota alta)

  • “NutriGo” → prático, direto, funcional (nota média)


3.2 Teste de memória e associação


Depois de alguns minutos, peça para os participantes escreverem o que lembram. Se ninguém lembra ou associa a valores errados, o nome precisa ser repensado.


3.3 Teste emocional e social


O nome provoca uma reação positiva? É inclusivo? Respeita diversidade? Evita estereótipos ou trocadilhos ofensivos? Pense em nomes como flores: alguns encantam, outros picam.


4. Validação jurídica e disponibilidade digital


Antes de avançar, verifique:


  • Registro de marca: INPI no Brasil, EUIPO na Europa, USPTO nos EUA.

  • Disponibilidade de domínio e redes sociais: Instagram, Facebook, LinkedIn.

  • Significados internacionais: palavras inocentes em um país podem ser problemáticas em outro.


Escolher nome de marca sem essa etapa é como comprar sapato sem experimentar: bonito pode até ser, mas pode machucar muito depois.


5. Criando o shortlist final


Depois de filtrar e validar, sua lista deve reduzir para 3–5 nomes finalistas. Eles devem ser:

  • Estratégicos, refletindo valores e posicionamento

  • Memoráveis e fáceis de pronunciar

  • Éticos, inclusivos e culturalmente respeitosos

  • Viáveis legal e comercialmente


Exemplo

Para uma marca de delivery saudável:

  • “VivaLeve” → ótimo equilíbrio entre literalidade e emoção

  • “Aurora” → poético e memorável

  • “NutriGo” → funcional e direto


Esses são os nomes que você leva para testes finais ou apresentação a stakeholders.


6. Documentação completa

Documente todo o processo: cada nome, direção criativa, notas estratégicas, sociais e legais. Uma boa tabela de decisão ajuda a justificar escolhas para investidores, sócios ou equipe:

Nome

Direção Criativa

Estratégia

Comercial

Ético/Social

Legal

Observações

VivaLeve

Evocativo

5/5

5/5

5/5

5/5

Melhor equilíbrio

Aurora

Metafórico

4/5

5/5

5/5

5/5

Poético e memorável

NutriGo

Literal

4/5

4/5

5/5

5/5

Funcional, direto

Essa documentação é ouro para tomar decisões objetivas, não apenas intuitivas.


7. Boas práticas para escolher nome de marca


  1. Priorize simplicidade: nomes curtos e sonoros são mais memoráveis.

  2. Sempre avalie impacto social: bom-gosto é mais estratégico do que parece.

  3. Teste com pessoas reais: nunca subestime percepção do público.

  4. Não escolha só pelo efeito “uau”: escalabilidade e funcionalidade importam.

  5. Pense no futuro: o nome deve sobreviver à expansão da marca.

Marty Neumeier diz que nome é a primeira história que sua marca conta. Se ela começar torta, o resto da narrativa também tropeça.


8. Exercício prático


  1. Pegue suas hipóteses da Aula 5.

  2. Filtre com base em estratégia, comercial e ética.

  3. Teste percepção, memória e impacto social com seu público-alvo.

  4. Valide legalmente e verifique domínios e redes sociais.

  5. Reduza a lista para 3–5 finalistas.

  6. Documente tudo, inclusive notas e observações.

  7. Reflita: o nome é memorável, ético e escalável?

Se passar nesse teste, você está pronto para a etapa final: registrar e lançar o nome oficialmente.


9. Conclusão

Escolher nome de marca é um processo estratégico, criativo e ético. Não é sobre “qual soa mais bonito”, mas sobre o que transmite valores, gera conexão e evita problemas futuros. Um bom nome pode ser a vela que impulsiona seu negócio; um nome mal pensado, uma âncora que afunda.


Ao seguir este método, você terá:

  • Uma lista de nomes fortes, memoráveis e alinhados com seu briefing.

  • Segurança jurídica e digital.

  • Garantia de bom-gosto e impacto social positivo.

  • Documentação completa para decisão e apresentação.

Na próxima aula (Aula 7), vamos mergulhar na viabilidade jurídica e registro de marca, garantindo proteção e exclusividade para o nome que você escolheu.



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