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Como avaliar se um nome de marca é bom?

Nomes de marca de cervejas pelo mundo todo
Nomes de marca de cervejas pelo mundo todo


Depois de entender o que é naming e os principais tipos de nomes de marca, chegamos ao ponto mais crítico, e mais negligenciado, do processo: como avaliar se um nome de marca é realmente bom?


Aqui é onde o naming deixa definitivamente de ser opinião e passa a ser gestão.

Um erro comum entre pequenos empreendedores é validar nomes com base em gosto pessoal (“eu gostei”), feedback informal (“minha família achou legal”) ou modismos. O problema é que marcas não competem no WhatsApp da família — elas competem na mente do mercado.


Nesta aula, vamos estruturar os principais critérios usados por consultorias, acadêmicos e grandes marcas para avaliar nomes de forma racional, estratégica e sustentável.



1. O critério mais importante: alinhamento estratégico

Antes de qualquer análise linguística ou criativa, um nome precisa responder a uma pergunta fundamental:


Esse nome reforça o posicionamento que a empresa quer ocupar?

Michael Porter afirma que estratégia é escolher o que não ser. Um nome desalinhado com a estratégia gera ruído desde o primeiro contato.


Exemplo clássico:

  • Um nome sofisticado para um negócio que compete por preço → gera desconfiança

  • Um nome informal para um serviço premium → destrói percepção de valor


Critério: Se você tivesse que explicar seu posicionamento sem usar o nome, o nome ajudaria ou atrapalharia essa explicação?


Se atrapalha, o nome está errado — mesmo que seja “bonito”.


2. Clareza cognitiva e esforço mental

A Nielsen Norman Group, referência mundial em usabilidade, reforça um princípio essencial:quanto maior o esforço cognitivo, menor a adesão.


Aplicado ao naming, isso significa avaliar:

  • É fácil de pronunciar?

  • É fácil de escrever?

  • É fácil de lembrar depois de ouvir uma única vez?


Nomes excessivamente complexos, longos ou ambíguos geram fricção invisível — mas real.


Teste: Diga o nome para alguém e peça para a pessoa escrever sem ver. Se errar, provavelmente há um problema.


3. Distinção competitiva

Philip Kotler deixa claro: marcas existem para diferenciar. Se o nome poderia ser facilmente confundido com concorrentes, ele falha como ativo estratégico.


Problemas comuns:

  • Uso excessivo de sufixos genéricos (“tech”, “solutions”, “digital”)

  • Nomes parecidos foneticamente dentro da mesma categoria

  • Cópias indiretas de líderes de mercado


Pergunta-chave: Se o logo fosse removido, o nome ainda se destacaria no meio de 10 concorrentes? Se não, você tem um problema de diferenciação.


4. Elasticidade e crescimento futuro

David Ogilvy alertava contra nomes que “funcionam hoje, mas envelhecem mal”.


Um bom nome precisa sobreviver a:

  • Expansão de portfólio

  • Mudança de público

  • Evolução do modelo de negócio

  • Crescimento geográfico


Exemplo

  • “Doces da Vovó Maria” funciona localmente, mas limita escala e reposicionamento.

  • “Amazon” não descreve nada específico — e por isso pôde virar tudo.


Exercício: Esse nome ainda faria sentido se o negócio dobrasse de tamanho, mudasse de canal ou expandisse o portfólio?


5. Carga semântica e associações culturais

Nenhum nome é neutro. Toda palavra carrega associações — positivas ou negativas — dependendo do contexto cultural.


Aqui entram análises como:

  • Significados em outros idiomas

  • Duplos sentidos indesejados

  • Conotações culturais, regionais ou geracionais


Marty Neumeier reforça que marcas vivem na mente das pessoas, não no dicionário. O significado real do nome é o que ele evoca, não o que ele explica.


Regra prática: Se você precisa explicar demais o nome, ele não está trabalhando a seu favor. Mas claro, que toda regra pode ser quebrada, se você souber o que está fazendo ;)


6. Sonoridade e estética verbal

Branding não é só visual. É também verbal.


Bons nomes geralmente apresentam:

  • Ritmo agradável

  • Boa cadência sonora

  • Equilíbrio entre vogais e consoantes

  • Energia compatível com o posicionamento


Por isso tantos nomes fortes são curtos ou têm impacto fonético claro (Nike, Apple, Uber).


Teste simples: O nome funciona bem em voz alta? Ele soa confiante quando alguém o recomenda?


7. Viabilidade jurídica

Embora naming não seja apenas uma questão jurídica, ignorar isso é amadorismo e pode custar muito caro no futuro.


Um nome precisa ser:

  • Registrável como marca (pesquisar no INPI)

  • Diferente o suficiente para não gerar conflitos óbvios

  • Usável em domínio e redes sociais (mesmo que não seja 100% perfeito)


Aqui, a lógica é gestão de risco, não perfeccionismo.


Bizu: O jurídico valida; a estratégia decide. Nunca o contrário.


8. Consistência com design e linguagem

Por fim, um nome precisa funcionar dentro de um sistema de marca.


Perguntas essenciais:

  • Ele combina com a identidade visual pretendida?

  • Ele sustenta um tom de voz coerente?

  • Ele funciona em headline, slogan, URL, redes sociais?


A Harvard Business Review reforça que marcas fortes são sistemas consistentes, não peças isoladas.


Um bom nome não brilha sozinho — ele orquestra.


Conclusão

Um bom nome de marca não é o mais criativo, nem o mais diferente, nem o mais “legal”.


É aquele que:

  • Reforça a estratégia

  • Reduz fricção cognitiva

  • Diferencia no mercado

  • Suporta crescimento

  • Cria significado consistente ao longo do tempo


Naming é uma decisão silenciosa, mas poderosa. Quando bem feito, ninguém percebe. Quando mal feito, o negócio paga o preço todos os dias.


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