Como avaliar se um nome de marca é bom?
- Lucas Iemini
- 7 de jan.
- 4 min de leitura

Depois de entender o que é naming e os principais tipos de nomes de marca, chegamos ao ponto mais crítico, e mais negligenciado, do processo: como avaliar se um nome de marca é realmente bom?
Aqui é onde o naming deixa definitivamente de ser opinião e passa a ser gestão.
Um erro comum entre pequenos empreendedores é validar nomes com base em gosto pessoal (“eu gostei”), feedback informal (“minha família achou legal”) ou modismos. O problema é que marcas não competem no WhatsApp da família — elas competem na mente do mercado.
Nesta aula, vamos estruturar os principais critérios usados por consultorias, acadêmicos e grandes marcas para avaliar nomes de forma racional, estratégica e sustentável.
1. O critério mais importante: alinhamento estratégico
Antes de qualquer análise linguística ou criativa, um nome precisa responder a uma pergunta fundamental:
Esse nome reforça o posicionamento que a empresa quer ocupar?
Michael Porter afirma que estratégia é escolher o que não ser. Um nome desalinhado com a estratégia gera ruído desde o primeiro contato.
Exemplo clássico:
Um nome sofisticado para um negócio que compete por preço → gera desconfiança
Um nome informal para um serviço premium → destrói percepção de valor
Critério: Se você tivesse que explicar seu posicionamento sem usar o nome, o nome ajudaria ou atrapalharia essa explicação?
Se atrapalha, o nome está errado — mesmo que seja “bonito”.
2. Clareza cognitiva e esforço mental
A Nielsen Norman Group, referência mundial em usabilidade, reforça um princípio essencial:quanto maior o esforço cognitivo, menor a adesão.
Aplicado ao naming, isso significa avaliar:
É fácil de pronunciar?
É fácil de escrever?
É fácil de lembrar depois de ouvir uma única vez?
Nomes excessivamente complexos, longos ou ambíguos geram fricção invisível — mas real.
Teste: Diga o nome para alguém e peça para a pessoa escrever sem ver. Se errar, provavelmente há um problema.
3. Distinção competitiva
Philip Kotler deixa claro: marcas existem para diferenciar. Se o nome poderia ser facilmente confundido com concorrentes, ele falha como ativo estratégico.
Problemas comuns:
Uso excessivo de sufixos genéricos (“tech”, “solutions”, “digital”)
Nomes parecidos foneticamente dentro da mesma categoria
Cópias indiretas de líderes de mercado
Pergunta-chave: Se o logo fosse removido, o nome ainda se destacaria no meio de 10 concorrentes? Se não, você tem um problema de diferenciação.
4. Elasticidade e crescimento futuro
David Ogilvy alertava contra nomes que “funcionam hoje, mas envelhecem mal”.
Um bom nome precisa sobreviver a:
Expansão de portfólio
Mudança de público
Evolução do modelo de negócio
Crescimento geográfico
Exemplo
“Doces da Vovó Maria” funciona localmente, mas limita escala e reposicionamento.
“Amazon” não descreve nada específico — e por isso pôde virar tudo.
Exercício: Esse nome ainda faria sentido se o negócio dobrasse de tamanho, mudasse de canal ou expandisse o portfólio?
5. Carga semântica e associações culturais
Nenhum nome é neutro. Toda palavra carrega associações — positivas ou negativas — dependendo do contexto cultural.
Aqui entram análises como:
Significados em outros idiomas
Duplos sentidos indesejados
Conotações culturais, regionais ou geracionais
Marty Neumeier reforça que marcas vivem na mente das pessoas, não no dicionário. O significado real do nome é o que ele evoca, não o que ele explica.
Regra prática: Se você precisa explicar demais o nome, ele não está trabalhando a seu favor. Mas claro, que toda regra pode ser quebrada, se você souber o que está fazendo ;)
6. Sonoridade e estética verbal
Branding não é só visual. É também verbal.
Bons nomes geralmente apresentam:
Ritmo agradável
Boa cadência sonora
Equilíbrio entre vogais e consoantes
Energia compatível com o posicionamento
Por isso tantos nomes fortes são curtos ou têm impacto fonético claro (Nike, Apple, Uber).
Teste simples: O nome funciona bem em voz alta? Ele soa confiante quando alguém o recomenda?
7. Viabilidade jurídica
Embora naming não seja apenas uma questão jurídica, ignorar isso é amadorismo e pode custar muito caro no futuro.
Um nome precisa ser:
Registrável como marca (pesquisar no INPI)
Diferente o suficiente para não gerar conflitos óbvios
Usável em domínio e redes sociais (mesmo que não seja 100% perfeito)
Aqui, a lógica é gestão de risco, não perfeccionismo.
Bizu: O jurídico valida; a estratégia decide. Nunca o contrário.
8. Consistência com design e linguagem
Por fim, um nome precisa funcionar dentro de um sistema de marca.
Perguntas essenciais:
Ele combina com a identidade visual pretendida?
Ele sustenta um tom de voz coerente?
Ele funciona em headline, slogan, URL, redes sociais?
A Harvard Business Review reforça que marcas fortes são sistemas consistentes, não peças isoladas.
Um bom nome não brilha sozinho — ele orquestra.
Conclusão
Um bom nome de marca não é o mais criativo, nem o mais diferente, nem o mais “legal”.
É aquele que:
Reforça a estratégia
Reduz fricção cognitiva
Diferencia no mercado
Suporta crescimento
Cria significado consistente ao longo do tempo
Naming é uma decisão silenciosa, mas poderosa. Quando bem feito, ninguém percebe. Quando mal feito, o negócio paga o preço todos os dias.




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